Quando eu partia a lua estava tão laranja que parecia arder só de olhar, quando estava atravessando a floresta ela explodiu bem na minha janela e finalmente o céu se ardeu, nesse pássaro metálico que voa descobri a ponte entre as semelhanças. O ar é seco a ponto de ferir e as estradas são tão sinuosas como os caminhos que meu coração decide perseguir, aqui criei novas lembranças e as juntei com as antigas. As estradas são amareladas, como se estivessem pegando fogo e há mares sem fim de montanhas, sinto o vermelho e o sonho borbulhando em minhas pernas. Há tantos lugares que preciso ver, mais do que ver, tocar, sentir. Sempre que viajo reencontro algum pedacinho de mim que outrora tinha deixado o vento levar pra longe. Cidades, pessoas, culturas que fascinam, mas é quando encaro a natureza que minha alma se eleva, meu espírito encontra paz e sei que minha carne faz parte do todo, infinitamente imenso. transbordamentos. Peru é fria e quente, linda e feia, peru não me deixa respirar direito. De gente que coloca a mão na terra, que carrega nas costas as cores de sua cultura, de gente que me lembra do pacto que fizemos um dia com a natureza, de olhos puxados e os cabelos mais negros que a própria escuridão, me lembra o quão sou índia e o quão não sou. Um chamado a uma parte de minha ancestralidade que foi apagada, violentada e esquecida. A mãe terra, e eu me lembro mais uma vez que sou filha da natureza, da terra fecunda, das pedras empilhadas uma sobre a outra em adoração, a vida que respira junto com a minha é minha.
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