domingo, 20 de dezembro de 2015

Arames farpados

Me atravessa os olhos com seus arames farpados
me dilacera a carne enquanto flutuo em seu ventre
me pega na mão como uma criança que sabe que não pode atravessar a rua sozinha
sobrevoo seus sonhos translúcidos febris
sua febre me consome
Rodopiamos em cima de brasas e isso nos faz rir
Meus olhos queimam e a única coisa que vejo é o céu azul me consumindo.
Ouço como numa lembrança antiga o seu riso, vem de longe
E eu sigo rodopiando com meu vestido branco, encharcado de saliva.

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