domingo, 6 de dezembro de 2015

Sem ponto final

Com força espanca minha pele, meus sentidos, deixa em carne viva meus pensamentos, pulsa, congestionado, pulsa, pulsa, pisca mais que as luzes da árvore de natal, lateja o que sinto, amputações do ego, do eu em mim, em si, desembaraça meus cabelos, me afoga, me amordaça, me faz grito, grito como quem não tem salvação, como alguém que sabe que vai morrer, e eu sei, morro no cotidiano do avesso, na palava enunciada que é verbo dos loucos, morro aos pouquinhos no asfalto, outro dia paralisada, parei na pista quando o sinal abriu, eles não sabiam que não adiantava buzinar, tinha-me arrancado os ouvidos, os cheiros, o paladar, as memórias dos instantes-relâmpago, dos instantes-trovoada, dos instantes vazios, dos instantes das galáxias distantes que habitei, emudeci palavras que corroeram no estômago até virarem câncer, eu era um grande tumor no mundo, estava em metástase, pronta pra correr desembestada na intravenosa das poesias sem fim, das sujidade das esquinas anônimas, onde também morreram gente como eu, cada membro meu joguei a cada cantos dos quatro cantos que a rosa dos ventos direciona, era um corpo imóvel de vias subalternas, quando me levaram pra calçada eu extravasava, expurgava, eu era uma veia aberta, eu era uma pista ao nada, eu sangrava na ferida da rua, e uma constelação habitava meu céu da boca arreganhado, querendo gritar e cuspir naquela gente hipócrita que me olhava
como eu 

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