Quantos sertões eu preciso atravessar pros teus olhos virarem mar?
Teu calor deixa minha terra fecunda,
tu é igual um cacto, espinhoso por fora,
mas suculento por dentro,
tu mata minha sede quando nem comida eu tenho no buxo ainda.
Gente que trabalha o dia todo, quando chega a noite e a lua alumia,
ainda faz poesia?
Teu coração nunca pus cercado, delimitava apenas com os dedos,
e te deixava avoar negro, feito urubu, quando tinhas outras fomes,
e só o que eu podia te oferecer era terra!
Enquanto você ia, eu cuspia no chão, doava toda minha saliva,
que era pra ficar tudo florido pra quando voltasses de teus voos noturnos.
E a gente se fundia, ardendo em febre, fazia suar o quarto inteiro,
ele respingava em nós!
Tu era o sol que me aquecia e a lua que me fazia uivar feito lobisomem,
na tua pele colhi as melhores frutas, me lambuzava,
assim como quando a gente encontrava um açude
e a água dava pra beber.
Meu coração é quente feito mil sertões
e tuas raízes profundas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário