Venho perseguindo ratos medíocres
espíritos zombeteiros bêbados
venho caindo na graça dos esgotos a céu aberto
meu coração é uma viela
e faz tempo que o carro do lixo não passa por lá
Estão amontoados todos os corpos que amei
já sem vida
sobrepostos, empilhados um sobre o outro
e as lágrimas que um dia chorei por eles tornaram-se chorume
A escuridão me fascina tanto que não há luz nos caminhos que persigo
tenho uma fome corrosiva por todas as mentiras
compro mentiras, pago com o corpo por elas
Saio farejando em busca de uma sobrevida
de um moribundo
porque sei que assim não teremos muito tempo juntos
que eu me machucaria com o fim já próximo
Eu vivo com os fins, o começo é só uma lembrança distante
um sonho supérfluo
porque o meu amor é aquele de febres e solidões
não sou melhor que um abutre
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