meu primeiro banho foi dado por uma benzedeira que morava ao lado
Desde pequena nunca tive a sorte que gente bonita tem
mas minha mãe me amostrava pro mundo como uma princesa
eu sempre ia vestida de branco
ela dizia que eu era um anjo que alumiava o céu negro de todos os dias dela
Eu vivia de pés descalços
mas bicho geográfico só peguei uma vez na vida
coçava feito o demônio!
como aquilo tão pequeno abria caminho na minha pele?
Eu devia ser igual àquele parasita no tecido do mundo
Eu sempre andei devagar, mas meus olhos sempre estavam em chamas
deve ser por isso que são tão pretos, queimados
porque já tinham pegado fogo nas outras vidas que tive antes de nascer
Eu sempre lembro da minha mãe me anunciando no beco
gritando meu nome pra comer um feijão preto sem gosto que ela fazia
Nasci filha de parideira
das pernas finas
que trabalhava o dia todo e em casa mais ainda
por isso que é largo o meu amor por ela e por toda aquela inocência bruta que nos arrudiava.
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