terça-feira, 5 de janeiro de 2016
Odeio legendas de romances
Não vou me culpar pelas histórias de amor não vividas, eu sou de domínio dos astros, da terra, dos ancestrais, do mistério antigo, eu não vou me culpar se sei entrar e sair da casa dos prazeres sem anotar o endereço pra poder voltar, ou se tantas vezes eu voltei à mesma casa e a encontrava vazia, sem dono, sem ninguém, só paredes pra exercer minha solidão, algumas vezes bati à porta e só o que tive foi um beijo demorado, cada um do lado do portão, sem poder tocar-se de verdade, eu não vou me culpar pelas histórias como elas são, são histórias todas elas, elas todas cabem na palma da mão, não vou me culpar pelo sim e pelo não, cada história pode ser de amor, de alguma forma ou de outra, talvez todas sejam, não sei bem, eu sei que não há culpa quando o amor morre, quando a paixão morre ou se ela se acende novamente e não vira nada mais do que lençóis amassados numa casinha que alugamos e que de vez em quando nos encontramos lá, como amantes, que nunca poderão estar juntos, que nunca andarão de mãos dadas, eu não vou me culpar se a história foi assim meio torta, mal pintada, sem reboco, sem azulejo, o tijolo também levanta paredes mesmo que não tenham nada que as enfeite, eu não vou me culpar se não tivemos mais histórias, se tivemos só uma, se foi ruim, se tivemos várias mas que nunca teve um fim, que nunca deu em nada, nadinha, eu não vou me culpar se desperdicei o tempo, os beijos, o suor, a saliva, o carinho, o afeto, se o afeto se transformou em desafeto, em silêncios, em indiferença, cada história tem seu valor, não cabe à você que a lê julgá-la, não cabe à mim, personagem de minhas tramas, não valorizá-las, cada história é o que é, e eu sou o que sou em cada uma delas, eu não vou chorar se você nunca mais quiser abrir a porta da tua casa, ou se você até me xingar, não vou me culpar se eu sempre digo sim, cada história tem um lar, mesmo que não seja de amor.
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