sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Notas sobre ele

lembranças carcomidas por um surto de mofo e cupim
quinquilharias das mobílias velhas de um quarto
que um dia abrigou nossas juras de amor falsas
cada vez que entro no quarto
sinto o cheiro em carne viva
entranhado
apodrecendo no olfato
vejo o movimento das coisas
pressinto com os sentidos
vejo vultos fazendo sexo como se fossem cegos
percebo que cada parede tem uma frase tua
algum olhar fixado, como se fosse um quadro
não vou mentir que sempre abro o quarto
na tentativa de desvendar teus mistérios
pra mim já antigos
mas acabo lembrando das fotos que fiz na cabeça enquanto dormias
ou enquanto esperavas a última cena
saio cambaleando, como se tivesse embriagado
tropeçando no passado
mas assim que fecho o quarto, rezo pra nunca ter amnésia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário